terça-feira, maio 27, 2008

Sem abrigo, sem tudo e sem nada...










Sem abrigo, sem Amor
Com frio, com fome

Inexistente para os políticos
Invisível para os executivos
Vivo à margem, num canto
Procurando uma réstia de alimento
Nos contentores dos senhores
Amnésia da minha família
Ingratidão dos meus ex-amigos

No metro vendo "Cais"
Sem abrigo, sem tecto

Só o sol é verdadeiramente democrático
Nesta sociedade podre
De camas de cartão

Anjos humanos despertam na noite
Para servir as nossas sopas
A troco de um sorriso, que tudo lhes paga

Sem abrigo, sem tudo

Assistentes sociais
Dos gabinetes acondicionados
Dos horários de escritório
Que nada fazem, e tudo ganham

Sem abrigo, sem nada

Um homem não é pobre se nada tiver
Um homem só é pobre, se nada Amar...



Poesia de Pedro Lopes (direitos reservados)




2 comentários:

Assistente Social disse...

Caro Sr. Pedro Lopes, é um poema que reflecte o problema dos sem-abrigo e sendo um poema trata-se de uma abordagem original. Mas deixe-me que lhe diga que no que toca aos assistentes sociais parece-me estar pouco informado sobre o nosso trabalho. Infelizmente não temos recursos nem condições que nos permitam intervir mais eficazmente sobre esta problemática. Mas daí a dizer que não fazemos nada e que não saímos dos gabinetes, vai uma grande distância. Por outro lado, não podemos ter uma visão romântica sobre a intervenção com os sem-abrigo, achando que agora os assistentes sociais vão todos para a rua sem mais nem menos e que retiram todos os sem-abrigo da rua. Não é assim que se ataca o problema. É preciso haver uma política organizada que crie meios e recursos para que os técnicos intervenham eficazmente. A começar em respostas de saúde mental que não existem e que são fulcrais nesta problemática. Acredite que os assistentes sociais deste país são muito pouco apoiados pelo poder políico e que existe um número muito inferior de assistentes sociais no activo, face às necessidades. Nos países mais desenvolvidos há uma média de 1 assistente social para 8 casos. Cá a média estará em 1 para 800. Assim não se consegue trabalhar com qualidade, mas ninguém fala nisso. Só se exige e não se pergunta com que condições. Já agora quando diz que "(assistentes sociais) que tudo ganham", é notório que também desconhece o nível salarial dos assistentes sociais. Acredite que em geral é baixo, sobretudo nas IPSS (média de 800€/mês e com cargas horárias que nada têm a ver com "horários de escritório"!). Ainda assim, vão existindo algumas equipas de rua que com recursos limitados vão conseguindo alguns "milagres".

Anónimo disse...

Ora ai esta :))))))) Um Assistente social que sabe escrever ... sabe ? É que as x para quem é filhinho da mamãe n se sabe dar valor á vida